Wiki Catolica
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As origens apócrifas do cristianismo
Apresentação
1 Abrindo as portas das origens
2 O Evangelho de Maria Madalena
MM 7,1-10: a matéria MM 7,11-28: o pecado
MM 8,1-10: harmonia MM 8,11-24: bem-aventurado
MM 9,1-20: o beijo MM 10,1-25: o tesouro
MM 15,1-25; os climas MM 17,1-20: a preferida
MM 18,1-21: Meu irmão Pedro MM 19,1-3: anunciar o evangelho
3 O Evangelho de Tomé
Texto, datação e autoria Gênero Literário e conteúdo
Personagens Evangelho de Tomé e o de João
A não-dualidade O Reino do Pai
Evangelho de Tomé e os sinóticos Tomé e Maria Madalena
4 A outra Maria, mãe de Jesus, segundo os apócrifos
Os pais de Maria A infância de Maria Maria deixa o Templo
Maria em Nazaré A caminho Entre Belém, Egito e Nazaré
A morte de Jesus O anúncio da morte O dia em que Maria morreu
A procissão Maria no túmulo Resumo
5 A história de José nos evangelhos apócrifos
6 A infância de Jesus nos apócrifos
7 Conclusão
8 Bibliografia básica para o estudo dos apócrifos

Dois anos depois: o anúncio de sua morte, o livro e a palma[]

Depois desses fatos, os discípulos se dispersaram para pregar. E Maria foi para a casa de seus pais Joaquim e Ana, no monte das Oliveiras, próximo a Jerusalém. Dois anos depois, Maria recebeu a visita de um anjo anunciando a sua morte dentro de três dias. O anjo lhe trouxe um ramo de palmeira do paraíso do Senhor, o qual deveria ser levado à frente de seu féretro, quando, então, o corpo dela seria elevado do corpo?. O anjo ainda disse: Teu filho te espera, acompanhado de coros angélicos. E acrescentou: Peço-te que se reúnam junto de mim todos os apóstolos do Senhor Jesus Cristo. Ela também pediu ao anjo a bênção para que sua alma ao sair do corpo não encontrasse nenhuma potência infernal, nem visse o príncipe das trevas. O anjo lhe garanti que nenhum mal lhe seria causado pelas potências infernais, mas que o não ver o príncipe das trevas somente aquele a quem ela tinha levado teria o poder sobre todas as coisas. Depois disso, o anjo retirou-se e a palma ficou resplandecente de luz.

Outra tradição diz que apareceu a Maria um Grande Anjo, isto é, Jesus, o qual lhe deu um livro contendo os fatos que sucederiam na sua morte. Maria deveria entregar esse livro aos apóstolos, os quais o leriam na sua presença. Maria reclamou o fato de receber somente um livro. Os apóstolos eram muitos. Perguntou pelo nome do Grande Anjo. Esse respondeu que no momento certo, isto é, no dia de sua glorificação, ela saberia quem era ele. Maria deveria ir ao monte das Oliveiras. Ali, ela ouviria o seu nome. Jesus também disse que em três dias o corpo dela repousaria.

E Maria revestiu-se de suas melhores vestes, tomou consigo a palma e foi para o monte das Oliveiras, onde rezou pedindo a Deus que o poder da Geena (lugar dos castigos e sofrimentos) não lhe causasse danos. Depois, voltou para seus aposentos.

Outra tradição diz que Maria, tendo o livro em suas mãos, foi para o monte das Oliveiras. Chegando lá, o monte se alegrou e as árvores se inclinaram para adorar o livro que ela trazia nas mãos. Aí, então, ela compreendeu que o Grande Anjo era Jesus. Com ele, Maria dialogou sobre os mistérios de sua vida passada. Jesus a fez relembrar a viagem para o Egito, o moo áspero como José a tratou e os prodígios que ele, ainda bebê, realizara. Maria perguntou pelo seu fim. Jesus lhe revela que viria buscá-la no quarto dia. Ele ressuscitara no terceiro dia, mas ela e os apóstolos serão levados no quarto dia. Todos, depois da morte, sairiam do corpo e dormiriam quatro dias seguidos. A Maria foram revelados esses segredos, os quais deveriam ser contados aos apóstolos. Esses, durante a vida de Jesus, fizeram essa mesma pergunta, mas não receberam essa resposta. Jesus continuou a revelar a Maria o seu poder na história de seu povo. Primeiro, ele relembra o poder da oração na vida dos mortais. A oração, disse ele, ressuscita os mortos. Depois, fala sobre felicidade e queda de Adão, o pedido dos apóstolos, a morte dos primogênitos, a súplica de Raquel, a libertação do povo por Moisés, o encontro dos ossos de José pelo povo. Todos esses relatos tem o objetivo de mostrar o poder de Jesus na história. No final, o anjo revela que seu nome é misericordioso, isto é, Jesus Cristo que usa de misericórdia para com o seu povo. Jesus ordenou a Maria que dissesse aos apóstolos os fatos revelados por ele. Depois, ele se transformou em luz e subiu ao céu. E Maria voltou para a sua casa com o livro nas mãos. A casa tremeu por causa da glória do livro. Ela o envolveu com um pano e o colocou num lugar escondido da casa. Vestiu as vestimentas próprias para as invocações solenes e rezou. Terminada a prece, chamou uma serva e a pediu para chamar todos os seus parentes e conhecidos. Eles vieram e ela os pediu para que cada um tomasse uma lâmpada e mantivesse acesa até o terceiro dia. Todos fizeram o que ela lhes havia pedido. E Maria lhes disse: Pais e irmãos meus, ajudemo-nos uns aos outros e permaneçamos vigilantes com as lâmpadas acesas. Não sei, meus irmãos, a hora em que virá a voz para me chamar; não sei quando devo partir, nem conheço a seta que está em sua mão. Maria ainda relatou o medo da morte, bem como sucede quando morre alguém. Dois anjos chegam, um da justiça e outro do pecado. Eles analisam a pessoa, e de quem for o direito leva o defunto. As mulheres presentes começaram a chorar, pois perceberam medo naquela que é a mãe do mundo inteiro. Maria lhes pede para não chorar. Cantai, em vez de chorar, disse ela. Terminada a oração, sentaram-se e começaram a falar entre si da grandeza de Cristo, que realizara milagres.

E aconteceu que num domingo, às nove horas da manhã, na cidade de Éfeso, onde João pregava, ele foi tomado, após um terremoto, por uma nuvem que o levou até a casa de Maria. Bateu na porta. Uma criada abriu a porta e ele entrou imediatamente. Ao vê-lo, Maria se alegrou e o chamou de filho. Outra tradição diz: Pai João. Recordando-o que Jesus, o nosso mestre, a havia confiado a ele, lhe disse: Daqui a três dias, abandonarei o corpo. Ouvi os judeus dizer: Esperemos o momento em que venha a morrer aquela que trouxe aquele redentor e queimaremos o seu corpo. Em seguida, mostrou-lhe o vestido com que deveriam sepultá-la e a palma dada pelo anjo, a qual haveria de ser levada à frente do seu féretro até o sepulcro.

Outra tradição diz que João ficou triste ao saber que Maria morreria. Maria lhe pede que cuide bem do seu corpo após a morte, pois havia escutado que os sumos sacerdotes iriam queimá-lo, porque dele havia nascido o sedutor. Levando-o a parte, Maria entregou a João o livro que recebera de Jesus, para que João o levasse adiante do féretro. João disse que entre eles havia um que é maior do que ele. Esse deveria levar o livro.

João ficou preocupado, como organizaria sozinho o enterro. E ocorreu que, assim como João, todos os outros discípulos foram levados por uma nuvem e deixados à porta da casa de Maria. Eles se perguntavam porque estavam ali, e Maria lhes disse que Deus os trouxe até ela porque, visto que ela percorreria o caminho dos seres humanos, a função deles seria a de consolá-la na tribulação que estava por vir. E ainda disse: Peço-vos, portanto, que permaneçamos juntos em vigília sem interrupção, até o momento em que o Senhor vier e for tirada do corpo.

Outra tradição diz que os apóstolos vieram de dois a dois sobre as nuvens. Os dois primeiros foram Pedro e Paulo, que também fora incluído no número dos apóstolos. Eles se alegram pelo encontro inesperado. Todos se cumprimentam. Pedro pediu a Paulo que rezasse por eles. Paulo não aceitou convite, justificando que Pedro é uma coluna de luz, que ele era uma planta nova. Os outros apóstolos confirmaram a fala de Paulo e pediram a Pedro, chamado por Eles de Bispo Pedro, nosso pai, para rezar. Pedro rezou. João se apresentou no meio deles. Pedro lhe perguntou pelos dias que estava ali. Esse lhe contou como tudo aconteceu. Convocou os apóstolos a não ter medo diante da morte e a consolar Maria. Os apóstolos entraram na casa de Maria. Essa se alegrou, rezou e mostrou a Pedro e aos outros apóstolos, os preparativos do funeral. Na noite da vigília em preparação à morte de Maria, Pedro fez longos discursos para os presentes e, de modo especial, para as 21 virgens que se encontravam no local. Ele falou até o surgir do sol. Maria levantou-se, saiu de casa e rezou a sua oração. Depois, voltou para dentro e deitou-se. A sua missão havia se completado. Veio um grande terremoto e espalhou um odor suave como de um paraíso. Todos adormeceram, exceto as virgens.
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