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Apocalipse ('Αποκαλυψις', 'ΑΠΟΚΑΛΥΨΙΣ') de São João, escrito para animar as comunidades perseguidas da Ásia Menor no fim do Século I.

  • Autor: é um livro atribuído, pela tradição, ao apóstolo João, filho de Zebedeu, o mesmo suposto autor do quarto evangelho, conforme São Justino, tradição amplamente difundida já nos fins do Século II (Santo Irineu, Clemente de Alexandria, Tertuliano, o Canôn de Muratori), entretanto as Igrejas da Síria, Capadócia e Palestina parecem não incluí-lo no canôn das Escrituras, o que indica que não consideravam como obra de um dos Apóstolos. A redação final, como a conhecemos, se não foi obra do Apóstolo João, foi escrita por algum dos seus discípulos imediato.
  • Data de composição: em geral é aceito que a redação final tenha sido concluída no reinado de Domiciano, pelos anos 95. Contudo, outros autores creem que ao menos algumas partes teriam sido redigidas antes dos anos 70, nos tempos de Nero.
  • Ambiente histórico: período de perturbações e de violentas perseguições contra a Igreja.

Apocalipse é um termo grego que significa tirar o véu, re-velação, des-cobrimento, e que tem sentido positivo. Ao tirar o véu que encobre os acontecimentos, o Apocalipse clareia o caminho, faz crescer a esperança.

O estilo apocalíptico surgiu após o Exílio (587-536 a.C.), quando já não mais existia a profecia explícita. A partir do Exílio, o povo experimenta uma total incapacidade de controlar a situação ou transformar o rumo da história. O império dominante é dono de tudo. O povo já não tem mais onde se agarrar; não tem nenhum recurso e defesa. Tudo é interpretado como ameaça e causa medo; é a irrupção do caos.

Apocalípticos são os que não tem nenhum poder e nenhuma possibilidade de intervir na história como os profetas e profetisas. Tem outro modo de viver e de expressar as mesmas condições de fé dos profetas populares. Fala através de simbologia.

O movimentos apocalíptico nasce do lado de quem sofre a história e não do lado de quem a conduz. Verbaliza a experiência dos pobres e oprimidos. Surge do lado de quem está perdido, mas quer continuar a crer. Nasce de dentro do medo do caos como tentativa de mater a fé em Deus.

Para o apocalíptico os opressores do povo já perderam, mesmo que, por algum tempo, o povo ainda deva continuar a sofrer. As coisas vão mudar porque Deus é o Senhor.

Para expressar essa fé, os apocalípticos inventam novas formas. Formas que os excluídos encontram para sobreviver. Formas literárias variadas, cujo eixo principal é a esperança da chegada do dia de Javé. Apresenta três características:

  • Divide a história da salvação em etapas e situa o momento presente (em que se escreve) dentro do conjunto;
  • Expressa tudo por meio de visões e de símbolos. Essa é a parte que mais causa dificuldade.
  • Usa uma linguagem radical, quase extremista. Na televisão dos apocalípticos não há cores. É preto ou branco, bom ou mau.

Portanto, o Apocalipse é determinada maneira de ler a história a partir da fé. Os apocalipses surgem em épocas em que a visão de fé das comunidades é contestada e brutalmente desfeita pela violência dos fatos.

Situação das comunidadesEditar

Perseguidas, tendo infiltração da ideologia do império Romano, invadidas por doutrinas estranhas, apresentavam divisões internas causadas por falsas lideranças; conflitos crescentes e dolorosos com os irmãos judeus, cansaço da caminhada (Ap 6,10)

O Apocalipse desmascara a falsa propaganda do Império (Ap 12,16; 13,1-28; 17,1-18). Tira o véu dos olhos e aponta os sinais da vitória de Jesus. Usa textos do AT para descrever a situação (Ap 4,2-8; 5-10, etc). Assim, tira o véu da Bíblia e mostra que o mesmo Deus de ontem continua conosco. Tira o véu da história (Ap 1,1) e situa a perseguição no conjunto do plano da salvação. Ex: a abertura dos selos.

EstruturaEditar

  • Ap 4-11: é a parte mais antiga. Foi escrita durante a perseguição de Nero (64 d.C.) ou na época da destruição de Jerusalém (70 d.C.). A caminhada das comunidades é tida como novo Êxodo e a Boa Nova como anúncio de libertação para o povo oprimido.
  • Ap 12-22: escrito para responder a problemática dos anos 90. Fim do governo do imperador romano Domiciano (81-96): nova perseguição e muitos problemas. Reflete sobre a perseguição e a política do Império Romano. A história da humanidade é tida como revelação progressiva do julgamento de Deus. A Boa Nova como condenação progressiva dos opressores do povo.
  • Ap 1-3: acréscimo feito quado foi escrita a segunda parte. Carta carinhosamente dirigida às 7 comunidades da Ásia. Boa Nova apresentada como exigência de fidelidade e de compromisso.
  • Ap 1,4-20: Preâmbulo - serve de introdução a todo o livro do Apocalipse.
  • Ap 22,6-21: Conclusão com recomendações finais.

O livro do Apocalipse foi escrito entre os anos 60 e 100 d.C. Destina-se às sete (7=todos) comunidades perseguidas da Ásia Menor (Ap 1,4-11). Portanto, João quer animar todas as comunidades, inclusive as de hoje. Sete também indica a plenitude da presença de Deus no meio das comunidades.

O autor é João, irmão e companheiro (1,9); provavelmente coordenador dessaas comunidades, que estava preso na ilha de Patmos. Segundo alguns autores, não é o evangelista João, apesar de se chamar João. É um exilado político (1,9) que dedica seu trabalho ao mestre João. É um grande incentivador das comunidades cristãs de Éfeso e arredores no final do Século I.

Editar

  • 1,1a: é a revelação de Jesus Cristo, autor da revelação e das consequências que isso impõe. Esta palavra deu nome ao livro. O objetivo de João: conhecer Jesus Cristo e descobrir o que significa comprometer-se com Ele;
  • 1,1b: a revelação se destina aos servos (profetas), seguidores de Jesus. A 1ª chave do Apocalipse é a resistência e a profecia. Coisas que devem acontecer em breve significa que somente com resistência e profecia irá acontecer o Reino de Deus, a nova caminhada (Nova Jerusalém);
  • 1,1c: A função dos sinais é apontar para uma realidade que está além do próprio sinal. Quebrar a casca dura dos sinais para saborear o novo que está por trás dela. Os anjos são modos de representar o que não pode ser totalmente representado. São modos velados de se falar da ação de Deus na história e na caminhada das comunidades;
  • 1,2: a 2ª chave refere-se ao testemunho de Jesus Cristo e de seus servos;
  • 1,3: o Apocalipse é o livro da felicidade, da bem-aventurança, que é a 3ª chave. ... se praticarem ... relembra a resistência. A felicidade depende da prática, da ação. O tempo está próximo, é urgente resistir, profetizar, celebrar. Ter esperança e pôr as mãos à obra.

Visão do ressuscitadoEditar

(Ap 1,12-20)

Sete candelabros de ouroEditar

São as comunidades e o Ressuscitado agindo dentro delas. São as sete comunidades que celebram e irradiam a fé.

  • O candelabro recorda o culto, a celebração;
  • O ouro porque as comunidades são preciosas.

Filho do HomemEditar

Título de Jesus Cristo, no Apocalipse significa o enviado de Deus para realizar o julgamento e instaurar o Reino. A expressão é tirada de Dn 7,13, onde é uma personificação do povo fiel, que recebe de Deus o Reino que durará para sempre.

Vestido de longa túnicaEditar

Jesus Ressuscitado é o verdadeiro sacerdote (Ex 28,24; 29,5; Zc 3,4).

Cinto de ouro no peitoEditar

É o verdadeiro rei (1Mc 10,89; 11,58). Os reis usavam cinto de ouro. Jesus é apresentado usando o cinto no peito, isto é, somente ele é rei.

Cabelos brancos como lãEditar

É divino, eterno (Dn 7,9).

Olhos pareciam uma chama de fogoEditar

Jesus tem a ciência de Deus para penetrar e conhecer tudo, para sondar os rins e os corações, conforme 2,23.

Pés de bronze no forno, cor de brasasEditar

O Ressuscitado é firme, tem a firmeza, a estabilidade (Dn 2,31-45).

Voz como estrondo de águas torrenciaisEditar

Ele é poderoso.

Mão direitaEditar

O máximo de carinho. Simbolo da ação, do poder de Deus.

Sete estrelasEditar

Chefes e lideranças (anjos) são os animadores e anunciadores das comunidades.

Espada de dois cortesEditar

É o Evangelho, a Palavra que julga a Igreja e o mundo (conforme Ap 19,15s; 2,16; Is 49,2; Ef 6,17; Hb 4,12).

Rosto como sol brilhante ao meio-diaEditar

Relembra a transfiguração de Jesus (Mt 17,2).

Tem as chaves da morte e da morada dos mortosEditar

Jesus é o Senhor da história (Nm 16,33s; Jo 5,26-28).

As coisas presentesEditar

As sete cartas para as Igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia (Ap 2-3).

As coisas que devem acontecer depoisEditar

O testemunho da Igreja no mundo, as revelações dos capítulos 4 à 22. A profecia em forma de visões.

Visão do TronoEditar

(Ap 4,1-11)

Deus é o Senhor da HistóriaEditar

Subir ao céuEditar

(4,1c): pela força do Espírito, faz a leitura da história a partir do Projeto de Deus (céu), mantendo os pés no chão da caminhada. Descrever o mistério que está por dentro da história.

TronoEditar

Poder

Alguém está sentadoEditar

O trono não está vazio, alguém detém e exerce o poder.

Arco-írisEditar

Aliança de Deus com toda a comunidade na época de Noé (Gn 9,12-17).

Pedras preciosasEditar

(Jaspe, cornalina e esmeralda): Deus é muito raro (é o único Senhor da história). Sua realeza supera nossa compreensão, mas é fascinante como as pedras preciosas.

24 tronos ao redor do TronoEditar

Deus não governa a história sozinho.

24 anciãosEditar

A soma de 12+12, que pode representar o antigo e o novo povo de Deus, exprime a totalidade dos que assumiram o Projeto de Deus (Mt 19,28), ou ainda corresponde as 24 ordens sacerdotais de 1Cr 24,1-19. Eles exercem papel sacerdotal e real (coroas).

Vestidos de brancoEditar

Como Jesus que enfrentou a morte e ressuscitou.

Com uma coroa de ouro na cabeçaEditar

São vencedores premiados. São todos os mártires de todos os tempos e lugares.

Do trono saiam relâmpagos, vozes e trovõesEditar

Deus governa a história continuamente e lhe comunica sua força e vontade. Daí o simbolismo: relâmpagos, vozes e trovões - três elementos que desde o Antigo Testamento representam a presença de Deus na história.

7 lâmpadas acesas diante do tronoEditar

São o Espírito que Deus comunica à humanidade para que tenha vida (Is 11,2s; Ap 3,1; 8,2; Tb 12,14-15; Zc 4,10; Ap 5,6; Lc 1,26).

Mar de vidro na frente do tronoEditar

O mar representa o mal, que está congelado (mar de vidro) diante de Deus, pois não tem poder diante de Deus[1].

4 seres vivosEditar

Animais (sentido na língua grega em que foi escrito) são forças positivas e negativas que agem na história. Suas formas, leão, novilho, homem e águia, representam o que há de mais nobre, mais forte, mais sábio e mais ágil na criação. Desde Santo Irineu a tradição cristã viu neles o símbolo dos quatro evangelistas.

No meio e ao redor do tronoEditar

Expressão propositalmente confusa para dizer que eles têm muito a ver com Deus (no meio do trono).

São cheios de olhosEditar

Pela frente, por trás, por dentro, por fora, ou seja, cheios do Espírito de Deus.

3 pares de asasEditar

Símbolos da liberdade e da rapidez.

Dia e noite eles proclamamEditar

Essas forças positivas permanentes em governar a história com poder (Todo-Poderoso).

A celebração no céuEditar

Continua proclamando Deus como criador de todas as coisas. É um convite para que também as comunidades resistentes façam o mesmo.

O Senhor da HistóriaEditar

Criador e doador da vida, é Deus, diferentemente do imperador, que se considerava senhor da história e doador da vida.

Quem é capaz de revelar a históriaEditar

(Ap 5,1-14)

Livro escrito por dentro e por foraEditar

É a história da humanidade, cheia de acontecimentos (escritos por dentro e por fora)[2].

Sete lacresEditar

É difícil e até mesmo impossível compreender a história da humanidade.

Ninguém, em lugar nenhumEditar

Ninguém é capaz de penetrar nos acontecimentos da história e mostrar que Deus a governa.

João choraEditar

Situação das comunidades perseguidas (injustiça, opressão e morte).

Um dos anciãosEditar

(Leão da tribo de Judá): um mártir vencedor, Jesus, o Messias.

A vitória de Jesus MessiasEditar

A vitória sobre a morte é a chave de leitura para a nossa história.

Abriu novo caminhoEditar

Rebento de Davi

Final dos temposEditar

Iniciou com a vitória de Jesus sobre a morte. É a vitória do bem sobre o mal até que a vida se realize na Nova Jerusalém. Esta iniciou com a Ressurreição de Jesus.

CordeiroEditar

Jesus, recorda a libertação dos hebreus da escravidão egípcia.

Cordeiro de péEditar

(5,6a): Jesus está vivo depois de ter passado pela tortura e a morte.

Cordeiro com 7 chifresEditar

Chifre representa poder, no caso todo poder. Ele (Jesus) venceu a morte.

Cordeiro com 7 olhosEditar

7 espíritos de Deus enviados por toda a terra, isto é, o Espírito Santo em plenitude. Jesus Ressuscitado possui a plenitude do poder e do Espírito: tudo vê e tudo pode. Só ele é capaz de abrir o livro da história e mostrar que a vida vence a morte, a justiça triunfa sobre a injustiça.

Sua vitóriaEditar

Chave para lermos todos os acontecimentos da história.

Cordeiro recebeu o livro da mão direita daquele que está sentado no tronoEditar

(5,7): Deus confia a Jesus a revelação e a realização do Projeto de Deus presente na história.

Adoram o CordeiroEditar

(5,8-14): os 4 seres vivos e os 24 anciãos adoram o Cordeiro: grande celebração festiva que une o céu, a terra e todo o universo.

Harpas e taças de ouro cheias de incensoEditar

"Os 24 anciãos têm harpas e taças cheias de incenso, que são as orações dos santos": taças cheias de incenso representam fonte de confiança e esperança nos tempos difíceis. Santos, no Apocalipse, são todos as pessoas que creem no Cristo. Povo de Deus é toda a humanidade, de todas as tribos, línguas, povos e nações.

Milhões de milhões e milhares de milharesEditar

(5,11-12): 'μυριαδες μυριαδων και χιλιαδες χιλιαδων', Multidão incontável.

Sete atributos do CordeiroEditar

Poder, riqueza, sabedoria, força, honra, glória e louvor. Totalidade de atributos.

Seção dos SelosEditar

(Ap 6-7): Jesus vencedor da morte vai mostrar como é a história da humanidade, abrindo os 7 selos, sete etapas da história, que mantêm lacrado o livro da história.

Característica da abertura dos quatro primeiros selos:
  1. abertura de um selo;
  2. voz de comando de um dos Seres Vivos;
  3. surgimento de um cavalo;
  4. descrição do cavalo.

Cavalo branco: 1º seloEditar

O povo parto criava cavalos brancos e eram chamados feras da terra (6,8). Os partos foram ameaça constante para os romanos. Eram símbolo da ganância: querer conquistar tudo à força. Portanto, o cavalo branco significa a ganância presente na história. O cavaleiro tinha um arco e deram a ele uma coroa: é uma força negativa geradora de morte. Na época em que foi escrito o Apocalipse, os partos constituíam um império rival do Império Romano. Sua arma de guerra era o arco.

Cavalo vermelho: 2º seloEditar

Espada representa a derrama de sangue pela violência. Espada era a arma dos romanos. Por meio da violência o imperialismo romano impunha a paz no mundo: a pax romana (ninguém podia se opor a ela). O cavaleiro tira a paz: impõe-se pela violência. Esta é filha da ganância. É a dominação política dos romanos que se impõe pela ganância do poder.

Cavalo preto: 3º seloEditar

Representa a fome. Esse cavalo com seu cavaleiro esvaziam o bolso do povo. É a exploração econômica. Balança na mão do cavaleiro: a família dos pobres não consegue sobreviver. A ganância gera a violência e esta exploração econômica. Quem desmascara o poder da balança é a denúncia profética (a voz que vem do meio dos 4 seres). Ninguém danifica o óleo e vinho: as terras não produzem mais trigo e cevada, mas óleo e vinho para Roma. Desapareceu a pequena propriedade produtora de trigo e cevada, alimento diário do povo, para dar lugar ao grande latifúndio do imperador romano.

Cavalo esverdeado: 4º seloEditar

Cor do cadáver de quem morreu de peste ou doença. Seu cavaleiro é a morte, vem acompanhado de uma cavalaria infernal (o mundo dos mortos), semeando a morte no meio do povo. Trata aqui da morte violenta, não natural. O povo não tem o que comer, é vítima de todos os tipos de doenças e seu trágico destino é a morte prematura. É o resultado final da ganância (1º cavalo) que gera violência (2° cavalo), que provoca fome (3° cavalo) e termina na morte (4° cavalo). Mas a morte não terá a última palavra. Ela acaba com 1/4 da humanidade (parcialidade).

Clamor dos mártires: 5º seloEditar

Os que foram mortos por causa da Palavra de Deus e por causa do testemunho (cf. 1,2.9) clamam a Deus, pedindo que lhes faça justiça. Toda vida interrompida violentamente é um clamor o qual Deus atende, fazendo justiça. Sangue na Bíblia costuma representar a vida. Habitantes da terra: os que promovem e sustentam a sociedade injusta que provoca a morte do povo.

Os mártires de todos os tempos são um apelo urgente para que Deus não seja neutro nos conflitos de nossa história.Não significa que o Apocalipse estimule a busca do martírio. Enquanto há mártires, a justiça ainda não foi alcançada.

Deus atende clamor pela justiça: 4º seloEditar

(6,11-17): A resposta de Deus ao clamor de justiça continua e chega ao máximo com a abertura do 6º selo: acontecem 7 abalos cósmicos (sete representa totalidade):

  1. Grande terremoto: reis da terra;
  2. Sol que escurece: magnatas;
  3. Lua cor de sangue: capitães;
  4. Estrelas que caem sobre a terra: ricos;
  5. Céu que se enrola: poderosos;
  6. Montanhas deslocadas: escravos;
  7. Ilhas arrancadas do seu lugar: homens livres;

Esses abalos cósmicos não são catástrofes naturais, mas modos de dizer que Deus intervém com certeza na história, realizando de modo pleno o julgamento.

No Apocalipse, abalos cósmicos significam símbolos da presença de Deus e sua ação que julga a história. Nos sete grupos sociais estão representados todos os que se comprometem com a sociedade injusta que provoca mártires. Assim, Deus julga a história e seus julgamentos atingem a todos: donos do poder político (reis), donos do poder econômico (magnatas), donos do poder da propaganda idolátrica (capitães).

Apocalipse 7 desenvolve a esperança e garra na profecia e na resistência às comunidades. Ficar de pé significa ser declarado inocente.

  • 7,4-8: olha-se para o passado do povo de Deus (Antigo Testamento);
  • 7,8-10: olha-se para o presente e o futuro.
    Descobre-se que a resistência e o testemunho marcaram a vida de multidões incontáveis;
  • 7,1-3: 4 anjos que seguravam os 4 ventos da terra: aqueles que resistem e profetizam. A marca na fronte é sinal de preservação (cf. Ez 7,3);
  • 7,4-8: 144.000 justos: totalidade, todos os que resistiram no passado (AT). 12 tribos cada uma com 12 mil pessoas marcadas (144.000 = 12x12x1000), que representam todos os que estiveram empenhados com o Deus vivo que exige a prática da justiça.

Inicia a sessão das trombetas: 7º seloEditar

(Julgamento): Houve no céu um silêncio de meia hora, o que indica a gravidade do que vai acontecer.

Seção das trombetasEditar

Sete trombetas é o anúncio de que o julgamento já está acontecendo. Deus está julgando a história: está destruindo a injustiça que gera a morte, e seu julgamento atinge a todos (por isso sete), é universal.

Os quatro primeiros toques da trombeta: terra, mar, rios, fontes, sol, estrelas e lua significam todo o universo, significando que sofre abalos (1/3) e é transformado.

1/3 significa que o julgamento é ainda parcial, não chegou ainda a plenitude. Desde agora Deus já está destruindo a injustiça que gera a morte do povo. O julgamento só acontecerá em plenitude nos capítulos 21,1-6; 23 e 22,1.5 do Apocalipse.

O julgamento de Deus sobre a história estará plenamente realizado quando desaparecer a sociedade injusta em que vivemos, para dar lugar a um novo arranjo social onde todos tenham vida em abundância.

As catástrofes em Ap 8,7-13 não podem ser tomadas ao pé da letra. São modos sutis de falar do julgamento na história. Não falam do futuro, mas do presente.

Os toques das quatro primeiras trombetas se inspiram no livro do Êxodo: pragas do Egito (Ex 7,14-11,10).

  1. ° toque (Ap 8,7a): lembra a sétima praga do Egito, mas com sangue. Significa Deus no presente está julgando a sociedade injusta com força e energia maiores do que no tempo da opressão egípcia.
  2. ° toque (Ap 8,8-9): lembra a 1ª praga (Ex 7,14-24). O mar é maior do que o rio Nilo, lugar da opressão no Egito. Mar é a moradia das forças do mal.
  3. ° toque (Ap 8,10): também recorda a 1ª praga. Rios e fontes em lugar do rio Nilo. novamente a ideia de que o julgamento é mais severo e com maior força.
  4. ° toque (Ap 8,11-12): recorda a 9ª praga (Ex 9,11-29), o universo inteiro é atingido e não somente o Egito.
  5. ° e 6º toques (Ap 9,20-21): apelo ao bom senso e à conversão. A 5ª, 6ª e 7ª trombetas atingirão de cheio os habitantes da terra, isto é, os que estão comprometidos com a sociedade injusta.

Ap 8,13: o ai que acompanha cada toque é o que irá mexer profundamente com a sociedade injusta.

Sociedade fundada na injustiçaEditar

(Ap 9,1-6)

  • Estrela caída na terra: mal presente em nossa sociedade.
  • Abismo: poder opressor que invade a sociedade, intoxicando-a totalmente (o sol que se escurece com a fumaça do povo: 9,2).
  • Gafanhotos voando sobre a terra: estruturas sociais injustas criadas pelos habitantes da terra (9,3a).
  • Picada de escorpião: a injustiça acaba se voltando sempre contra quem a pratica (9,4-5).
  • Os homens vão correr em busca da morte: os que criaram estruturas de injustiça acabam percebendo o monstro que geraram e desejarão a morte. Esta fugirá deles, pois só Deus tem o poder sobre ela.

Crítica à sociedade injusta e do que ela é capazEditar

(Ap 9,7-12)

  • Gafanhotos como bandos de cavalos preparados para a guerra: a ganância da sociedade injusta não tem limites: quer conquistar tudo.
  • Coroas de ouro na cabeça: a sociedade injusta impõe um imperialismo absolutista.
  • O rosto deles parecia rosto de gente: os poderosos procuram maquiar a injustiça com verniz de humanidade.
  • Tinham cabelos compridos como as mulheres e dentes de leão:
    • cabelos de mulheres: fascinio e a sedução que os poderosos exercem sobre os fracos;
    • dentes de leão: quem se deixa por eles seduzir cai na goela do leão.
  • couraças de ferro: as defesas da sociedade injusta parecem invencíveis.
  • asas: a sociedade injusta é onipresente.
  • barulho de carros de guerra: põe o mundo em estado de choque.
  • correndo para a batalha: dispostos a tudo conquistar.
  • ferrão na cauda, como escorpião: quem não se submete a ela tem vida atormentada.
  • anjo do abismo ('abadôn' em hebraico e 'apoliôn', 'απολλυων', em grego: destruição): Asociedade injusta caminha para a destruição.

Os conflitos internacionais são um apelo à conversãoEditar

(Ap 9,19-19)

  • Região do rio Eufrates: lugar de onde vinham os exércitos inimigos. Na época da redação do Apocalipse essa região pertencia ao Império dos Partos, o grande inimigo do Império Romano.
  • Características dos partos: ganância e crueldade. Chamados, portanto, de feras da terra (Ap 6,8); quando conquistavam um território, arrasavam-no com enxofre e fogo. O enxofre faz explodir ambientes fechados e sua fumaça mata.

O Grande ConfrontoEditar

(Ap 12,1-6)

A Mulher: 1º sinalEditar

(Ap 12,1-2)

  • A Mulher é um sinal, não é uma pessoa concreta. É o símbolo das comunidades que, num tempo de grande tribulação, mantém a profecia e a resistência, dando assim à luz do Projeto de Deus na história.
  • Apareceu no céu: vem de Deus.
  • Vestida com o sol, tendo a lua debaixo dos pés e sobre a cabeça uma coroa de 12 estrelas: Deus a envolve e protege completamente, fazendo com que ela seja o seu esplendor. Sol, lua e estrelas têm como lugar natural o céu. Este no Apocalipse simboliza a moradia de Deus.
    O Sol governa o dia e a Lua a noite: Deus protege e envolve continuamente (dia e noite) as comunidades que profetizam e resistem.
  • Está em dores de parto: comunidades perseguidas, no sofrimento e na fraqueza, estão gerando o projeto de vida que vem de Deus.
    Parto: esforço de dar continuamente à luz o Projeto de Deus mediante a profecia e a Resistência.

Grande Dragão: 2º sinalEditar

(Ap 12,3-4a)

  • Grande Dragão: é a grande mentira que gera e conserva a sociedade injusta.
  • É grande e vermelho (cor de fogo): assustador, violento e sanguinário.
  • Sete cabeças e sete diademas: domina o mundo inteiro.
  • Com sua cauda varre 1/3 das estrelas: pretende ocupar o lugar de Deus. Arroga a si prerrogativas divinas.
    Estrelas: o exército de Deus.
  • Tem dez chifres: seu poder é imperfeito (10). Oposição ao Cordeiro que tem 7 chifres.

(Ap 12,4b-6)

  • A mentira (dragão) se põe diante da Mulher para lhe devorar o filho: conflito entre a profecia e a mentira presente no passado do povo de Deus e no hoje das comunidades perseguidas.
  • Menino que nasceu: representa as vitórias da justiça contra a injustiça: tanto no passado (libertou o povo), quanto em Jesus (ressuscitou Jesus) e no tempo das comunidades perseguidas (protege as comunidades proféticas).
  • Fugiu para o deserto (12,6): deserto recorda o tempo do Êxodo, quandodeus fez aliança com o seu povo. Foi ai que o povo concebeu um projeto de sociedade justa e fraterna. Assim se encontram as comunidades perseguidas: perseguidas, mas protegidas; amadas e alimentadas diariamente enquanto durar a tribulação.
  • 1260 das: corresponde a 42 meses, ou 3 anos e meio, a metade de sete, isto é, imperfeição. A perseguição vai terminar.
  • Alimentada: presença carinhosa de Deus que sustenta a profecia e a resistência.

Deus não compactua com a mentiraEditar

(Ap 12,7-18)

  • 12,7-9: recurso à lenda popular que tem raiz na parte narrativa do livro de (1,2). Estaria Deus compactuando com o mal e a mentira?
    O autor do Apocalipse muda radicalmente essa lenda popular que mantinha o povo submisso e acomodado.
  • 'Batalha no céu: céu é morada de Deus. Deus é o único Senhor da história. Na morada Dele não há lugar para apostas malvadas que prejudicam as comunidades proféticas e resistentes (Ap 12,7-8).
    Miguel ('μιχαηλ'):
    Quem é como Deus. Batalha contra o acusador e usurpador do lugar de Deus (12,4a), o derrota e o expulsa do céu.
  • Ficha do pai da mentira (12,9): Antiga serpente (Gn 3,1-16; 'οφις ο αρχαιος'); diabo ('διαβολος') ou satanás ('σατανας'); aquele que seduz. Diabo/satanás é adversário, inimigo. Sua arma é a sedução. Deus nunca faz aliança com ele.
  • Hino de vitória: em dois momentos sucessivos:
    1. pela morte e ressurreição de Jesus;
    2. pelo enfrentamento das comunidades proféticas que resistem até a morte contra a mentira.
  • Dragão foi derrotado no céu (12,13-17): vencido pela Ressurreição de Jesus e pelo testemunho profético.
  • Se volta contra as comunidades: expulso para a terra.
  • Um tempo, dois tempos, três tempos: 3 anos e meios (imperfeição). A perseguição vai passar.
  • A serpente vomitou um rio de água atrás da mulher: iniquidade, maldade.
  • Somente com a profecia e a resistência poderá ser totalmente eliminado.
  • Continuará perseguindo os descendentes da mulher: a perseguição do imperador Domiciano, na época, estendeu-se por todo o império.
  • Dragão ficou em pé na praia do mar: praia e mar representam o mundo todo.
  • Um pé na terra e o outro no mar: domina todos e tudo, É uma alusão a Roma, capital do império, situada perto do Mar Mediterrâneo (os romanos chamavam-no de o nosso mar). Por ele chegavam as riquezas das províncias dominadas. O todo poderoso está enfraquecido e irá desaparecer. Por isso, é preciso profetizar e resistir até o fim.

Do mar onde o dragão colocara um pé subiu uma bestaEditar

(Ap 13,1-10)

  • Besta é a filha do Dragão, a encarnação do pai da mentira. Tem dez chifres e 7 cabeças como o dragão. Este confia à besta o projeto da mentira.
  • Dragão e besta: projeto da sociedade negativa, que gera a morte do povo.
  • Em cima dos chifres havia dez diademas: 10 é imperfeição. Embora se apresente como onipotente (diadema), caminha para a ruína.
  • Carrega nomes blasfemos (13,1b): atribui a si aquilo que pertence exclusivamente a Deus. Os imperadores se faziam adorar como deus.
  • A besta que sobe o mar: é o Império Romano, encarnação histórica do pai da mentira.
  • A besta parecia como animais: o imperialismo romano é a encarnação de todos os impérios opressores que já apareceram na história.
    • a besta parecia uma pantera: símbolo do Império Persa;
    • com pés de urso: Império Medo;
    • com boca de leão:império babilônico.
      Três: totalidade, sinal de que o imperialismo romano é a síntese de toda a crueldade e opressão do passado. Ele estraçalha e mata como jamais se viu em toda a história.
  • Uma das cabeças da besta parecia ferida de morte mas foi curada (cabeça da besta simboliza Nero): Nero, que se caracterizou pela crueldade e loucura, agora é adorado como deus. É uma paródia da morte e ressurreição de Jesus. Jesus sofreu e morreu. Deus o ressuscita, glorificando-o como Deus. nero é ressuscitado diante do povo pelos imperadores sucessores Vespasiano, Tito e Domiciano.

A visão da queda de Roma, a Grande ProstitutaEditar

(Ap 17)

Queda do Império RomanoEditar

(Ap 18)

Através de cânticos retoma, aprofunda e explica o significado da queda do Império Romano.

A destruição de Roma traz consigo morte, luto, fome e fogo (18,8). São catástrofes que as comunidades já conheciam: anos 64 (início da perseguição romana) e 70 d.C. (destruição de Jerusalém e do Templo). Morte, luto, fome e fogo se tornam símbolos. João os projeta para o futuro para dar uma ideia do que será a destruição do mal. Seria hoje como usar a exploração da bomba atômica sobre Hiroshima como símbolo de catástrofe. Esta nivela as pessoas: todos se tornam iguais no sofrimento, na solidariedade, na ajuda.

O Apocalipse não quer a destruição enquanto destruição, mas sim enquanto símbolo da igualdade de todos diante de Deus e diante da vida. Quer a destruição de um mundo: o da injustiça.

Celebração da queda de RomaEditar

(Ap 19,1-8): Através de vários cânticos que procuram explicar o significado da queda do Império Romano.

Palavra de Deus como Grande GuerreiroEditar

(Ap 19,11-21): Apresenta a Palavra de Deus como o Grande Guerreiro que derrota a besta e o falso profeta.

Julgamento com a condenação do MalEditar

(Ap 20,1-15): É o capítulo que reúne mais símbolos, mas que ao mesmo tempo é o mais esclarecedor.

    • 1-3: o Dragão é preso por 1000 anos;
    • 4-6: expansão do Reino de Cristo;
    • 7-9a: as forças do Dragão e da Mulher se enfrentam;
    • 9b-10: Derrota definitiva do Dragão;
    • 11-12: julgamentos dos mortos;
    • 13-14: julgamento, condenação e morte da própria morte;
  • 1000 anos: passado, presente e o futuro da história. Quem deu início aos 1000 anos foi a vitória de Jesus sobre a morte;
  • O Dragão é acorrentado na terra por 1000 anos: passado, presente e o futuro das comunidades (20,1-3). Jesus e as comunidades têm poder de acorrentar o Dragão, anular sua ação e seu poder. É acorrentado por meio da Profecia e da resistência. Seu tempo é curto e passageiro.
  • Os mártires voltam à vida e reinaram com Cristo durante 1000 anos (20,4b): ressuscitam para a vida com Deus e revivem na memória das comunidades perseguidas, julgando e condenando a sociedade injusta que os matou.
  • Os outros mortos (20,5a): os que foram seduzidos pela mentira e aderiram à besta não voltam à vida durante os 1000 anos, não merecem ser recordados.
  • 20,5b: 1ª ressurreição, é a adesão ao projeto de justiça que faz surgir o Reino de Deus na história. Não é morte física, mas morte para a injustiça.
  • 20,6b: 2ª morte, a morte física. Não tem poder sobre os que seguem Jesus.
  • 20,7-10: a última tentativa do Dragão de eliminar o povo de Deus. Acompanhamento dos Santos e a cidade ama são o Povo de Deus.
  • 20,8: quatro cantos da terra, ou seja, seduz o mundo inteiro com a sua idolatria. Gog e Mogog são poderes da idolatria, personificações das nações idolátricas.
  • 20,9b: fogo que desce do céu, é Deus agindo na história, no presente e no futuro, liberta as comunidades da opressão do Dragão, destruindo-o totalmente.
  • 20,10: lago de fogo ardendo com enxofre é a destruição total e definitiva, o castigo eterno.
  • 20,11-15: a morte e a morada dos mortos entregaram de volta seus mortos, quer dizer cada qual é julgado segundo sua conduta. Deus não julga, nem condena. É a pessoa mesma que atrai sobre si a condenação por causa da escolha que fez.

A Nova SociedadeEditar

(Ap 21,1-8): A Nova Sociedade é a Nova Jerusalém, é uma sociedade cujas relações são totalmente opostas às da Babilônia. Liberdade, justiça, solidariedade, partilha, fraternidade e verdade são as colunas sobre as quais ela é construída e se sustenta.

A Nova Sociedade é o Brilho do próprio DeusEditar

(Ap 21,9-21)

Continuação da descrição da Nova JerusalémEditar

(Ap 21,22-27): A cidade não precisa de mediações e está aberta a todos. Porém, para fazer parte dela, é condição não abrir mão da profecia e da resistência.

FonteEditar

  • Livro do Apocalipse, Ir. Mari Luzia Hammes

Ver tambémEditar

ReferênciasEditar

  1. Bília de Jerusalém: trata-se das águas superiores de Gn 1,7; Sl 104,3 ou do mar de 1Rs 7,23-26
  2. Bília de Jerusalém:são os decretos divinos sobre os acontecimentos dos últimos tempos, cujos selos serão rompidos nos capítulos 6 a 9 e os segredos revelados
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