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As origens apócrifas do cristianismo
Apresentação
1 Abrindo as portas das origens
2 O Evangelho de Maria Madalena
MM 7,1-10: a matéria MM 7,11-28: o pecado
MM 8,1-10: harmonia MM 8,11-24: bem-aventurado
MM 9,1-20: o beijo MM 10,1-25: o tesouro
MM 15,1-25; os climas MM 17,1-20: a preferida
MM 18,1-21: Meu irmão Pedro MM 19,1-3: anunciar o evangelho
3 O Evangelho de Tomé
Texto, datação e autoria Gênero Literário e conteúdo
Personagens Evangelho de Tomé e o de João
A não-dualidade O Reino do Pai
Evangelho de Tomé e os sinóticos Tomé e Maria Madalena
4 A outra Maria, mãe de Jesus, segundo os apócrifos
Os pais de Maria A infância de Maria Maria deixa o Templo
Maria em Nazaré A caminho Entre Belém, Egito e Nazaré
A morte de Jesus O anúncio da morte O dia em que Maria morreu
A procissão Maria no túmulo Resumo
5 A história de José nos evangelhos apócrifos
6 A infância de Jesus nos apócrifos
7 Conclusão
8 Bibliografia básica para o estudo dos apócrifos
As origens apócrifas do cristianismo, com comentários aos Evangelhos de Maria Madalena e Tomé, A história de Maria, José e a infância de Jesus nos apócrifos, é uma apostila para o uso dos estudantes, produzida por Frei Jacir de Freitas Faria.

ApresentaçãoEditar

Com mais este fascículo do segundo nível do projeto "Bíblia em Comunidade", estamos colocando nas suas mãos, caro(a) leitor(a), a possibilidade de aprofundar a Teologia Apócrifa. No primeiro nível tivemos uma visão global da Bíblia. Vimos as grandes etapas da história do povo de Israel e os escritos que foram surgindo em cada uma dessas etapas. Neste segundo nível, vamos aprofundar as grandes correntes teológicas que perpassaram o Primeiro e Segundo Testamentos, ou seja, como o povo da Bíblia foi percebendo a revelação histórica de Deus na sua caminhada. Depois de longos anos de tradição oral, o povo começou a deixar por escrito a experiência vivida para transmiti-la às gerações futuras "o que nós ouvimos e conhecemos, o que nos contaram nossos pais, não o escondemos a nossos filhos, nós o contaremos à geração seguinte: os louvores de Deus, seu poder e as maravilhas que realizou" (Sl 78,3-4).

Voltar às origens dos cristianismos será sempre uma viagem fascinante ao túnel do tempo. Em nossos dias cresce cada vez mais o desejo de redescobrir valores perdidos ou deixados de lado pela tradição cristã. Olhar para trás não significa cumprir a sina da mulher de Lot, isto é, tornar-se uma estátua de sal. Olhar para trás significa deixar-se salgar pelo sal das primeiras comunidades, purificar-se de conceitos historicamente consagrados, sobretudo os em relação às mulheres da primeira hora do cristianismo.

Foi por isso que me "impus" a nobre tarefa de estudar as origens do cristianismo que os evangelhos apócrifos e canônicos nos legaram. No decorrer da leitura desse livro, proponho a você, caro(a) leitor(a), a se perguntar: Quem, de fato, foi Jesus? Como era a vida do menino Jesus? Quais foram os seus ensinamentos? Como distinguir o Jesus da fé e o histórico? Na verdade, essa última questão parece não ter resposta. Aquilo que no inicio do cristianismo era simplesmente expressão devocional da fé em Jesus, passou a ser um dado histórico sobre ele. E o que era histórico passou a ser dado de fé. Por isso, para entender Jesus é preciso descobri-lo também nos escritos apócrifos. Jesus é um só, mas os escritos sobre ele são, por assim dizer, reflexos das várias maneiras que as comunidades o compreenderam. São experiências múltiplas e diferentes. Mas, de fato, uma se impôs como sendo a verdadeira.

Além dos questionamentos sobre Jesus, vale a pena também se perguntar: Quem foi Maria? Por que essa mulher nos fascina? Como foi a sua vida? Quem foi Maria Madalena? Uma prostituta ou a amada de jesus? (ela é citada nos canônicos em Mt 27,56; Mt 27,61; Mt 28,1; Mc 15,40; Mc 15,47; Mc 16,1; Mc 16,9; Lc 8,2; Lc 24,10; Jo 19,25; Jo 20,1; Jo 20,18) Quais são os outros fatos da vida de José desconhecidos a nós? Como foi a vida do menino Jesus? Cada capítulo desse livro será uma tentativa de responder a essas questões.

O primeiro capítulo trata de questões introdutórias ao estudo dos apócrifos: definição, lista dos livros apócrifos, datação, o cristianismo e as influências recebidas de outras correntes de pensamento da época.

O segundo capítulo trata de modo específico da personagem Maria Madalena, as vozes da tradição sobre ela, sua relação afetiva com Jesus. Procura-se mostrar que Maria Madalena não era prostituta. O evangelho de sua comunidade é comentado passo a passo e em relação a Jo 20,1-18 e Ct 3,1-5.

O terceiro capítulo é um comentário de algumas passagens do evangelho de Tomé em relação aos evangelhos de Jo, Mt, Mc e Lc. As parábolas recebem uma atenção especial.

O quarto capítulo apresenta, de modo sistemático, a vida de Maria, a mãe de Jesus, segundo os apócrifos. Algumas considerações são feitas ao conjunto dos textos.

O quinto capítulo apresenta o personagem José, sua história narrada nos evangelhos apócrifos.

O sexto capítulo apresenta a vida do menino Jesus, suas façanhas que os evangelhos canônicos não contaram.

Uma das conclusões do estudo dos apócrifos é que precisam ser redescobertos pelas nossas comunidades, pois eles trazem dados preciosos da origem de nossa fé.

Agradeço ao Serviço de Animação Bíblica (SAB), ao Centro de Estudos Bíblicos (CEBI) e aos meus caros(as) estudantes de teologia do Instituto Santo Tomas de Aquino (ISTA), do Instituto de Ciências Humanas (IMACH), do Centro de Estudos Superiores dos Jesuítas (CES), do Centro Loyola, das dioceses de Divinópolis e Belo Horizonte e comunidades eclesiais, que foram os primeiros a acolherem e experimentarem essas nossas intuições, ou melhor, que me ajudaram a concebê-las.

Frei Jacir de Freitas Faria
Divinópolis, 02 de fevereiro, festa da apresentação do menino Jesus ao templo.
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