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IntroduçãoEditar

As Epístolas Católicas são sete epístolas (cartas), cujo autor não foi Paulo, que cedo foram agrupas numa coleção, apesar de serem de origem e autoria diversos. São chamadas católicas por serem destinadas aos cristãos em geral.

* Novo Testamento
Mt Mc Lc Jo
At  
Rm 1Cor 2Cor
Gl Ef Fl Cl
1Ts 2Ts 1Tm 2Tm
Tt Fm
Hb Tg 1Pd 2Pd
1Jo 2Jo 3Jo Jd
Ap

Epístola de São TiagoEditar

A epístola, atribuída à São Tiago, não teve aceitação imediata e universal. Origines a cita como Escritura inspirada, mas Eusébio de Cesareia, no início do século IV, informa que é contestada por algumas pessoas ou comunidades. Cipriano e Tertuliano, na África, a desconhecem, e o catálogo Mommsen não a contém (anos 360). Também não consta do cânon Muratori (anos 200) e não há evidências de ter sido citada por São Clemente de Roma ou pelo autor do Pastor de Hermas.

Conforme a Bíblia de Jerusalém, "o caráter arcaico de sua cristologia se explicaria não pela antiguidade de sua redação, mas pelo fato de ela provir de ambientes judaico-cristãos, herdeiros do pensamento de Tiago, irmão do Senhor, e alheios à evolução da teologia cristã-primitiva". Já a Bíblia Pastoral informa que "o autor se apresenta como Tiago, o irmão do Senhor (Mc 6,3), que dirigiu a igreja de Jerusalém (At 15,13) e morreu mártir no ano 62. Diversas razões, porém, fazem pensar que o verdadeiro autor da carta é judeu de origem grega do final do século I, e que escreveu a carta entre os anos 80 e 100."

Se não sabemos sua origem, ao menos sabemos seu destinatário: as doze tribos da Diáspora (Tg 1,1), em grego 'δωδεκα φυλαις ταις εν τη διασπορα', referindo-se provavelmente aos cristãos de origem judaica e dispersos no mundo greco-romano, principalmente nos arredores da Palestina (Egito e Síria).

Esta epístola é, como os Evangelhos, mensagem tipicamente cristã; Sumariza toda a Lei judaica no mandamento do amor ao próximo (Tg 1,25; Tg 2,8.12). É uma explicação das exigências do mandamento em diversas situações: igualdade cristã (Tg 2,1-4), preferência pelos pobres (Tg 2,5-7), amor ativo (Tg 2,14-17). Esse amor exige a exclusão da exploração, e é nesta carta que encontramos a mais violenta passagem do Novo Testamento contra os ricos (Tg 5,1-6). A fé é apresentada como "dinamismo que produz ação e que só é madura quando se expressa em atos concretos (Tg 2,20-26); é fé que rejeita qualquer espiritualidade ou religiosidade individualista e intimista (Tg 1,26-27). Da mesma forma, a verdadeira sabedoria se expressa pela conduta (Tg 3,13-16)."

TemasEditar

  • A fé prática: a verdadeira religiosidade consiste:
    • Assistir os necessitados (Tg 1,28);
    • Não só ouvir, mas praticar (Tg 1,19-27);
    • A fé que não põe em prática o ensinamento é morta (Tg 2,14-26).
    Enquanto Paulo ensina que "somos salvos pela fé, sem as obras da Lei", em complemento Tiago ensina "sem as ações que traduzem nossa fé, esta é morta".
  • O amor fraterno e a misericórdia (Tg 2,1-13);
  • Devemos estar sempre prontos para o juízo de Deus (Tg 1,2-18; Tg 5,7-11);
  • A sabedoria prática, sob a luz de Cristo (Tg 3);
  • A riqueza nos torna presunçosos, e muitas vezes é injusta (Tg 4,13-5,6, ao estilo das bem-aventuranças Mt 5,3ss.
  • Oração eclesial, principalmente pelos doentes e a correção fraterna (Tg 5,12-26)

Primeira Epístola de São PedroEditar

Foi aceita sem contestação desde o início. Desde Irineu, é explicitamente atribuída ao Apóstolo Pedro, que a escreve de Roma, chamada por ele de Babilônia em 1Pd 5,13, em companhia de Marcos. A tradição diz que se transferiu para Roma, no tempo de Nero (64 ou 67), mas sua redação final pode ser posterior, aglutinando alguns textos e homilias.

É dirigira aos cristãos da diáspora, citando cinco províncias (1Pd 1,1), que se encontravam na costa do Mar Negro, norte da atual Turquia. O texto escrito em grego simples, mas correto, parece indicar que o autor não seja um pescador galileu, mas possivelmente um seu secretário e discípulo, que pode tê-lo ajudado na redação: Silvano (1Pd 5,12), antigo companheiro de Paulo (At 15,22s).

O objetivo parece ser de animar a fé de cristãos convertidos, que vivem longe da pátria, por serem escravos, ou pessoas livres que migraram em busca de melhores condições, que assim se encontravam longe dos amigos e familiares, sofrendo humilhações, injúrias, perseguições por serem estrangeiros e calúnias.

TemasEditar

  • Estrangeiros no mundo;
  • A comunidade é povo de Deus (1Pd 2,1-10);
  • Moral: imitar Cristo (1Pd 2,21-25; 3,18)

Segunda Epístola de São PedroEditar

Esta epístola é mais uma encíclica que uma simples carta, preocupada com a doutrina e interpretação das Escrituras, inclusive das epístolas paulinas. Isso evidencia que não apenas o Antigo Testamento, mas também parte do atual Novo Testamento já eram aceitos como Escritura Sagrada, bem como demonstra que, apesar da saudação inicial dizer que o autor é Pedro, a redação final é consideravelmente posterior à Primeira Epístola de Pedro, podendo ser situada em torno do ano 100, e provavelmente é o último escrito do do Novo Testamento, com linguagem diferente da primeira epístola, devendo ser obra de um discípulo, com alguma autoridade para fazê-lo, talvez utilizando escritos de Pedro ou anotações de seus discursos e homilias.

Esta epístola exorta inicialmente à fidelidade e confiança nas palavras dos profetas verdadeiros, denunciando os falsos profetas. para Deus mil anos são como um dia (2Pd 3,8), A palavra de Jesus não passa (3,10).

TemasEditar

  • A comunidade desanimada;

Primeira Epístola de São JoãoEditar

O autor desta é o mesmo do quarto Evangelho, ou discípulo deste.

Esta carta Encíclica destinada à comunidades da Ásia, ameaçadas por um grupo de dissidentes carismáticos, que afirmavam uma doutrina gnóstica, na qual a salvação era alcançada através de um conhecimento religioso especial, negando que Jesus fosse o Messias e Filho de Deus. Nela João resume sua experiência religiosa, discorrendo sobre luz (1Jo 1,5s); justiça (1Jo 2,29s); amor (1Jo 4,7-8s); verdade (1Jo 5,6s), mostrando a íntima ligação existente entre nosso estado de filhos de Deus e a retidão de nossa vida moral.

Aqui encontramos uma das mais conhecidas e citadas passagem da Bíblia: "Deus é Amor" (1 João 4,8.16: 'θεος αγαπη εστιν')

Assim, o ponto principal da epístola é o amor, "que traduz a fé em vida concreta" (B.Jerusalém)

TemasEditar

  • Cristologia;
  • Veracidade da Encarnação;
  • Escatologia;
  • Eclesiologia;
  • Cristão como filho de Deus

Segunda Epístola de São JoãoEditar

Esta pequena epístola, talvez apenas um bilhete, alerta uma comunidade, Senhora eleita (2Jo 1,1), contra pregação de falsos doutores, que negam a realidade da encarnação, provavelmente os mesmo combatidos na primeira epístola, da qual repete algumas frases, e é da mesma época.

Terceira Epístola de São JoãoEditar

Provavelmente é anterior a primeira e segunda epístolas de João.

Busca resolver um conflito surgido em uma igreja, sob autoridade de João, onde Diótrefes ('διοτρεφης') impõe dificuldades aos enviados do Ancião (o autor da epístola).

Epístola de São JudasEditar

O autor, identificado como irmão de Tiago (Tiago Menor Mc 6,3), em Lucas 6,16 e em At 1,13 aparece onde os outros evangelistas citam Tadeu (Mc 3,18), também chamado Judas Tadeu, escreveu a epístola provavelmente no final do século I. É conhecedor dos escritos judaicos, inclusive os que hoje são considerados apócrifos (Henoc, também chamado Enoc ou Enoque; "Assunção de Moisés", "Testamento dos Doze Patriarcas"), dos quais se aproxima pelo estilo.

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