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O gnosticismo é um movimento sincretista religioso-filosófico da antiguidade cujos sectários pretendiam ter um conhecimento completo e transcendente da natureza e dos atributos de Deus; o mundo (pelo menos o mundo material) seria mau, produto de uma queda, e portanto deve ser rejeitado ou superado. Para os gnósticos, a salvação se alcança pelo conhecimento dos mistérios da vida, da origem e do sobrenatural; eles, portanto, pregam uma fuga do mundo material e da história.

Nos evangelhos, é combatido principalmente pelo evangelho de João.

O gnosticismo, que surgiu no primeiro século da era comum, era movido pelo seguinte modo de pensar:

  • A salvação é adquirida através de um profundo conhecimento (gnose) teórico de si e, simultaneamente, de Deus;
  • A ignorância é uma forna de autodestruição;
  • A tarefa do ser humano consiste em buscar, com muito esforço, a gnose;
  • Ao gnóstico, para obter a salvação, basta conhecer e crer que o Filho de Deus veio a este mundo;
  • Para ser perfeito o homem precisava fundir sua alma com a divindade e nisto consiste a gnose;
  • A natureza divina de Cristo transcende o sofrimento;
  • O sofrimento não tem sentido;
  • O ser humano sofre não por causa do pecado, mas por causa da sua ignorância;
  • A alma é prisioneira da matéria;
  • Quem recebe o espírito comunica-se diretamente com Deus;
  • Deus é um ser transcendente e não criou o ser humano e nem a terra;
  • A libertação do ser humano ocorre por processos históricos, mas de forma interior;
  • As mulheres atuavam no movimento gnóstico como mestras, profetisas e sacerdotisas.

O gnosticismo foi um movimento de resistência aos cristãos que se organizavam em uma instituição eclesial, a qual arvorava o poder divino para direcionar o movimento de Jesus. Um gnóstico, por acreditar na presença divina em si mesmo, não poderia, é claro, acreditar numa instituição humana, terrena. Assim, os gnósticos tinham como objetivo, dentre outros, ser uma alternativa à institucionalização do cristianismo. Para um gnóstico não havia necessidade da mediação de uma instituição eclesiástica para entrar em contato com Deus. Cada fiel poderia comunicar-se diretamente com Deus. O primado de Pedro foi, por isso, contestado e não aceito por eles. O Primeiro Concílio de Constantinopla (381 E.C) condenou o gnosticismo como movimento herético.

Os gnósticos buscavam a sabedoria como meio de alcançar Deus. Para eles, Deus não se dá a conhecer aos pobres e sofredores, o que vai contra a pregação de Paulo (1Cor 3,18-19.21-23).

Não só os cristãos rejeitaram o gnosticismo, mas também os judeus. O judaísmo é muito pragmático. O substantivo Dabar, por exemplo, significa Palavra (realidade abstrata) e coisa (realidade concreta). E dessa experiência que nasce o contato com Deus, o verdadeiro Deus. Um conhecimento abstrato não podia ser aceito pelos judeus. Para o judaísmo, o conhecimento vem da Torá. Para os cristãos, Jesus é a Torá encarnada. As comunidades cristãs nascem em torno das curas, milagres e testemunhos, o que contrariava o pensamento judaico. Para eles tudo isso tinha sua origem na magia e acreditar nisso era idolatria. Assim, para o judaísmo aderir ao gnosticismo ou ao cristianismo seria o mesmo que seguir o caminho da idolatria.

Por mais que a comunidade judaica tivesse o desejo de rejeitar o mundo grego, ela não conseguiu. O grego tornou-se a língua oficial. Da mesma forma, o cristianismo, via império romano e consequente pensamento greco-romano, se viu helenizado no seu odo de pensar.

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