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As origens apócrifas do cristianismo
Apresentação
1 Abrindo as portas das origens
2 O Evangelho de Maria Madalena
MM 7,1-10: a matéria MM 7,11-28: o pecado
MM 8,1-10: harmonia MM 8,11-24: bem-aventurado
MM 9,1-20: o beijo MM 10,1-25: o tesouro
MM 15,1-25; os climas MM 17,1-20: a preferida
MM 18,1-21: Meu irmão Pedro MM 19,1-3: anunciar o evangelho
3 O Evangelho de Tomé
Texto, datação e autoria Gênero Literário e conteúdo
Personagens Evangelho de Tomé e o de João
A não-dualidade O Reino do Pai
Evangelho de Tomé e os sinóticos Tomé e Maria Madalena
4 A outra Maria, mãe de Jesus, segundo os apócrifos
Os pais de Maria A infância de Maria Maria deixa o Templo
Maria em Nazaré A caminho Entre Belém, Egito e Nazaré
A morte de Jesus O anúncio da morte O dia em que Maria morreu
A procissão Maria no túmulo Resumo
5 A história de José nos evangelhos apócrifos
6 A infância de Jesus nos apócrifos
7 Conclusão
8 Bibliografia básica para o estudo dos apócrifos

MM 8,1-10: estejais em harmoniaEditar

1O apego à matéria
2gera uma paixão contra a natureza.
3É então que nasce a perturbação em todo o corpo;
4é por isso que vos digo:
5"Estejais em harmonia..."
6Se sois desregrados
7inspirai-vos em representações
8de vossa verdadeira natureza.
9Que aquele que tem ouvidos
10para ouvir, ouça.

  • O apego à matéria. Somos levados a pensar que matéria é tudo aquilo que é um bem material. Estamos corretos. No entanto, matéria é também uma pessoa. Posso fazer de uma pessoa um objeto a ser possuído e explorado. Jesus, no seu tempo, falou que a mulher do próximo não podia ser cobiçada. Caso Jesus vivesse em nossos dias, ele teria inúmeros exemplos advindos do neoliberalismo. O trabalhador, para não ir muito longe, é um objeto valioso nas mãos de qualquer empresário. Os bens materiais que nos cercam são bons. Quisera todos, homens e mulheres, pudessem ter acesso a eles. O prazer de possuir um bem é sadio. Faz parte do ser humano poder deleitar-se com os bens criados por ele mesmo. Imagino as dificuldades de um doutorando dos anos 80, que não tinha a sua disposição um computador. Quanto trabalho para produzir sem os benefícios da era da internet.

No evangelho de Maria Madalena, o Mestre parece que não denuncia o fato de possuir bens, como muitos já quiseram interpretar. Jesus denuncia, sim, o modo como as pessoas se relacionam com as coisas materiais. Eu posso ter e ser livre diante dos bens. O problema está no apego, na absolutização das coisas. A matéria não é absoluta. Matéria por matéria será sempre matéria. A um sopor ela deixa de existir.

  • Gera uma paixão contra a natureza. Muitos pensam que a felicidade está em ter um carro zero. Adquire-se o carro, mas a felicidade não vem junta. Felicidade é algo mais profundo. A felicidade está dentro de cada um de nós. Muitos vivem na eterna ilusão do possuir. Basta o necessário. Da paixão não controlável pelos bens nasce a miséria, a fome, o sem-terra, os meninos de rua, etc. Dessa constatação nasce o conselho do Mestre:
  • Estejais em harmonia... A harmonia é a capacidade de amar todos os seres do cosmo pelo que eles são e não pelo desejo de possuí-los.

Ultimamente assistimos ao grito da água. Antes, a terra já clamava em soluços. Todo esse desequilíbrio cósmico é fruto do modo como sempre tratamos a terra e a água. Elas sempre foram vistas como objetos de exploração e não como parte integrante do nosso corpo cósmico. Perdemos a harmonia interna e externa. Um irmão mata o seu irmão, já denunciara o autor bíblico. Caim matou Abel. Quantos Abéis continuam morrendo porque os deuses Cains arvoram o direito de ter e dominar. O mundo carece de liberdade. Viver em harmonia não é fácil. Muitos morrem sem conhecer a sabedoria, isto é, a harmonia. Mas quem a encontra, encontra um tesouro. E ela não quer deixar nunca mais.

  • Se sois desregrados, inspirai-vos em representações de vossa verdadeira natureza. As representações são as aparências, as ilusões. O status social é a pior das ilusões. Quem não busca o verdadeiro, vive de representações. Por outro lado, quem não está em harmonia é convidado pelo mestre a se inspirar nas verdadeiras representações da natureza, a buscar e experimentar o divino que mora dentro de cada um de nós, Deus.
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