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Ap

Os símbolos atuam sobre as pessoas mesmo sem elas se darem conta. A máquina de propaganda do império, tanto romano quanto capitalista, faz passar os seus interesses por meio de símbolos veiculados pela cultura, pelos costumes, pela religião, pelo comércio, pelos meios de comunicação. No mundo de hoje, os símbolos da Shell e do Macdonald's são mais conhecidos que o da Cruz de Jesus. O Apocalipse enumera uma série de imagens ou símbolos imperiais nos capítulos 13, 17, 18, 19.

Símbolo é símbolo, isto é, quer despertar a criatividade e a subjetividade. Vale mais pela ação que provoca do que pelo conteúdo que comunica.

Por isso, não se deve nunca querer fixar objetivamente todo o sentido e significado de um símbolo. Uma visão é uma construção feita com os tijolos dos símbolos e das imagens. Ela traduz experiências que o apocalíptico teve em sonhos ou em arrebatamentos no Espírito. A descrição de uma visão tem como objetivo não só contar uma experiência, mas também, e sobretudo, fazê-la acontecer nos outros. Por exemplo, a finalidade da visão inaugural (Ap 1,9-20) é provocar nos leitores e leitoras a mesma experiência de Jesus Ressuscitado, que o próprio João teve.

A origem dos símbolos e das imagens no ApocalipseEditar

Nem sempre é possível saber de onde o autor do Apocalipse tirou os símbolos e as imagens. São três as principais procedências:

  1. a natureza, o universo;
  2. a vida e a sua organização social, política e religiosa;
  3. a história do povo de Deus transmitida na Bíblia e na tradição oral.

Alguns símbolos pertencem às três ao mesmo tempo. Por isso, é difícil catalogá-los.

Essa tríplice origem revela a coragem da fé dos apocalípticos e mostra o efeito surpreendente da ação dos símbolos. A pretensão orgulhosa de ser uma divindade e de merecer o culto dos povos levava o império romano a dizer como a antiga Babilônia: Estou sentada como rainha. Não sou viúva! (Ap 18,7; Is 47,7.8). E a propaganda imperial vendia essa imagem no mundo inteiro. Mas a ação dos símbolos apocalípticos conseguiu neutralizar a ação perversa da propaganda imperial. De dentro daquelas pequenas e frágeis comunidades surgiu uma nova experiência de Deus e da vida. Elas foram adquirindo olhos novos para ler a natureza, a vida e a história! Aos poucos, a natureza e os elementos do universo deixaram de ser o santuário dos falsos deuses da ideologia dominante. A vida e a sua organização social, política e religiosa já não eram mais decidida pelos opressores do povo. Pelo contrário, por trás de tudo, o povo recomeçava a enxergar os traços do rosto de Deus que, por meio de Jesus, o Filho do Homem, conduzia a história e era Senhor da vida e do universo. Graças à ação dos símbolos, apesar de fraco e perseguido, o povo das comunidades teve a coragem de fazer uma leitura diferente da realidade, contrária da leitura que fazia o império. Era uma leitura de fé, que não era aceita pelos poderosos.

Alguns elementos simbólicos mais frequentesEditar

Alguns elementos simbólicos mais frequentes que ocorrem no Apocalipse

Elementos da natureza, do universoEditar

CoresEditar

Em todos os povos, de acordo com a sua cultura, as cores têm um significado simbólico. No antigo Egito, p.e., preto era cor da esperança. Em outros povos, branco é cor de luto. Para nós, verde simboliza esperança. No Apocalipse, as cores têm um significado:

Branco (Ap 2,17): vitória, glóra, alegria, pureza;
Vermelho (Ap 6,4): sangue, fogo, guerra, perseguição;
Amarelo-esverdeado (Ap 6,7): cor de cadáver que se decompõe; doença;
Púrpura e escarlate, vermelho vivo (Ap 17,4): luxo e dignidade real;
Preto (Ap 6,5): fome.

NúmerosEditar

Entre nós, alguns números têm um significado simbólico. P.e., sete e a conta do mentiroso, treze é número de azar. No ambiente apocalíptico, os números tem um significado simbólico:

  • 3: três vezes é o superlativo hebraico: plenitude (Ap 21,13) e santidade (Ap 4,8): 3 x Santo;
  • 4: número cósmico: os 4 cantos da terra, toda a terra (Ap 4,6; 7,1; 20,8); os 4 elementos do universo (terra, fogo, água e ar); quadrangular (Ap 21,16), sinal de plenitude e de perfeição;
  • 7: composição de 3+4, indica plentude, perfeição, totalidade (Ap 1,4). Metade de 7 é 3,5 (Ap 11,9). As vezes se diz um tempo, dois tempos, meio tempo (Ap 12,14; Dn 7,25), isto é, três anos e meio. É a duração limitada das perseguições. É o tempo controlado por Deus;
  • 12: é 3 x 4, número de perfeição e de totalidade (Ap 21,12-14);
  • 24: é 2 x 12. Os 24 anciãos (Ap 4,4), isto é, representantes do povo do Antigo Testamento (12 tribos) e do povo do Novo Testamento (12 apóstolos), ou seja, a totalidade do povo de Deus;
  • 42: 42 meses (Ap 11,2) é igual a tres anos e meio, e igual a 1260 dias (Ap 12,6), isto é, a metade de sete anos. Indica o tempo limitado por Deus;
  • 144: é 12 x 12 (Ap 21,17), sinal de grande perfeição e totalidade;
  • 666: é o número da besta (Ap 13,18). Em grego e em hebraico cada letra tinha um valor numérico. O número de um nome era o total do valor numérico de suas letras. O número 666 é do nome César-Neron, conforme o valor das letras hebraicas, ou de César-Deus, conforme o valor das letras gregas. E também o número de maior imperfeições: seis nã alcança sete, é a metade de doze, e isto por três vezes!
  • 1000: designa um prazo de tempo comprido e completo. Reino de mil anos (Ap 20,2). As combinações: 7 x 1000 (7000, Ap 11,13), 12 x 1000 (12000, Ap 7,5-8), 144 x 1000 (144000, Ap 7,4).

Elementos da naturezaEditar

Entre nós, alguns elementos da natureza têm um significado simbólico. Por exemplo: Fulana tem uma boa 'estrela'!, joão tem saúde de 'ferro'!, Aquela menina é uma 'pérola'!. Na Bíblia, os elementos da natureza têm variados significados simbólicos:

  • Sol e lua: vestida com o sol, a lua debaixo dos pés (Ap 12,1), criação servindo ao povo de Deus;
  • Estrela (Ap 1,16): anjo ou coordenador da comunidade (Ap 1,20);
  • Estrela da manhã (Ap 2,28): Jesus, fonte de esperança (Ap 22,16);
  • Arco-íris (Ap 10,1): símbolo da onipotência e da graça de Deus. Evoca a aliança de Deus com Noé (Gn 9,12-17);
  • Mar (Ap 13,1): caos primitivo (Gn 1,1-2), lugar de onde sai a besta-fera, símbolo do mal;
  • Abismo (Ap 9,2): lugar debaixo da terra, onde os espíritos maus ficam presos;
  • Água da boca da serpente, o vômito (Ap 12,15): império romano;
  • Eufrates (Ap 9,14): região de onde costumam vir os invasores Partos;
  • Cristal (Ap 4,6; 22,1): clareza e esplendor, transparência, ausência do mal;
  • Pedras preciosas (Ap 21,19-20): raridade, beleza, valor;
  • Pedra branca (Ap 2,17): usado pelo juiz no tribunal para declarar alguém inocente;
  • Ouro (Ap 1,13): riqueza;
  • Ferro, cetro de ferro (Ap 2,27): poder;
  • Palma (Ap 7,9): triunfo;
  • Duas oliveiras (Ap 11,4): personagens importantes. Evocam a visão de Zacarias (Zc 4,3-14}})

Mundo animalEditar

A convivência com os animais produz significados simbólicos: P.e., o povo diz: não ser papagaio, escutar como coruja, meter o bico em tudo, ter complexo de vaca. No Apocalipse, os bichos ou partes do bicho tem vários significados simbólicos:

  • Dragão (Ap 12,3) ou antiga serpente (Ap 12,9): poder do mal hostil a Deus e a seu povo;
  • Besta-fera que sobe do abismo (Ap 11,7) ou do mar (Ap 13,1): Nero ou o império romano;
  • Besta-fera que sai da terra (Ap 13,11): o falso profeta que propaga o culto ao imperador. O dragão, a besta-fera do mar e a besta-fera da terra são uma caricatura da Trindade. O anti-Deus, o anticristo e o antiespírito (falso profeta);
  • Pantera, leão e urso (Ap 13,2): crueldade, sem misericórdia. Evoca a visão de Daniel (7,4-6);
  • Cavalos (Ap 6,2-7): poder, exército que arrasa. Evocam a visão de Zacarias (Zc 1,8-10);
  • Cordeiro (Ap 5,6): indica Jesus. Evoca o cordeiro pascal imolado na saída do Egito (Ex 12,1-14);
  • Leão, touro, homem, águia, os quatro seres vivos, literalmente animais (Ap 4,6-7): indicam os quatro seres mais fortes que presidem ao governo do mundo físico. Indicam também os quatro elementos que formam o ser humano: touro (instinto), leão (sentimentos), águia (intelecto), homem (rosto). Os quatro juntos formavam o ser mitológico da Babilônia, chamado Karibu ou Querubim, e a esfinge do antigo Egito. Evoca as visões de Isaías (Is 6,2) e, sobretudo, de Ezequiel (Ez 10,14 e 1,10);
  • Águia (Ap 12,14): evoca a proteção do Êxodo (Ex 19,4; Dt 32,11);
  • Gafanhotos (Ap 9,3): perfídia, traição. Evoca o êxodo descrito no livro da Sabedoria (Sb 16,9);
  • Cobra, serpente (Ap 9,19): poder mortífero;
  • Sapo (Ap 16,13): animal impuro (Lv 11,10-12): símbolo persa da divindade das trevas. Evoca a praga das rãs (Ex 7,6-8,11);
  • Chifre (Ap 5,6): poder, particularmente o do rei;
  • Asas (Ap 4,8): mobilidade; velocidade em executar a vontade de Deus. Evoca Ez 1,6-12;

A vida e as coisas da vida com suas instituiçõesEditar

Coisas da vidaEditar

  • Túnica longa (Ap 1,3): símbolo do sacerdócio (Ex 18,4; Zc 3,4). A roupa evoca a realidade profunda das pessoas;
  • Linho puro (Ap 15,6): a conduta justa dos cristãos (Ap 19,8);
  • Alfa e ômega ('αλφα και το ω', Ap 1,8): primeiro e último, princípio e fim (Ap 21,6; 22,13);
  • Chave (Ap 3,7): poder;
  • Livro (Ap 5,1): o plano de Deus para a história humana;
  • Selo (Ap 5,1): segredo;
  • Foice (Ap 14,14): imagem de julgamento divino;
  • Trombeta (Ap 8,2): voz sobre-humana que anuncia os acontecimentos do fim dos tempos;
  • Carimbo, sinal, marca (Ap 7,2; 13,16-17): marca de propriedade e proteção;
  • Balança (Ap 6,5): escassez de comida, custo de vida;

Corpo e vida humanaEditar

  • Cabelos brancos (Ap 1,14): eternidade;
  • Olhos brilhantes (Ap 1,14): ciência divina universal;
  • Pés de bronze (Ap 1,15): firmeza invencível;
  • Mão direita (Ap 1,16): poder. Evoca a ação de Deus no Êxodo;
  • Mulher (Ap 12,1): povo santo dos tempos messiânicos; as comunidades em luta;
  • Filho da mulher (Ap 12,4): messias, chefe do novo Israel. Evoca Gênesis (Gn 3,15);
  • Prostituição (Ap 2,14): a infidelidade da idolatria;
  • Virgem (Ap 14,4): pessoa que rejeita a idolatria;
  • Noiva, esposa (Ap 19,7): Igreja, povo de Deus (Ap 21,2; 21,9-10);
  • Casamento do Cordeiro com a Noiva (Ap 19,7; 21,2): estabelecimento do Reino (cf Is 62,5);

Jerusalém e seu TempoEditar

  • Candelabros de ouro (Ap 1,12): o Povo de Deus, as comunidades;
  • Incenso (Ap 5,8): oração dos Santos que sobe até Deus (Ap 8,4);
  • Coluna (Ap 3,12): firmeza e lugar de honra. Evoca a coluna do Templo (1Rs 7,15-22);
  • Templo (Ap 3,12): coração de Jerusalém, cidade santa, representa o Povo de Deus;
  • Monte Sião (Ap 14,1): lugar do templo; trono de Deus;
  • Nova Jerusalém (Ap 3,12; 21,2): o povo de Deus, finalmente reconciliado;

O Império RomanoEditar

  • Trono (Ap 1,4): majestade, domínio. Evoca o julgamento divino anunciado por Daniel (Dn 7,9-14);
  • Espada afiada (Ap 1,16): Palavra de Deus que julga e castiga (Ap 19,15). Evoca a imagem usada por Isaías (Is 49,2) e, sobretudo, pelo livro da Sabedoria (Sb 18,15);
  • Arco (Ap 6,2): arma característica dos Partos; terror;
  • Cinto de ouro (Ap 1,13): realeza;
  • Coroa (Ap 4,4): poder de rei;
  • Rei dis reis, Senhor dos senhores (Ap 19,16; cf 1,5): título do imperador romano dado a Jesus.

FonteEditar

  • Livro do Apocalipse, Ir. Mari Luzia Hammes

Ver tambémEditar

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