Wiki Catolica
Advertisement

Pequena catequese do Tríduo Pascal[]

Desde aquele dia memorável em que o povo hebreu celebrou a Páscoa em sua saída do Egito, terra da opressão e da escravidão, a Igreja tem em muita estima a celebração da Páscoa, pois, hoje, celebramos o verdadeiro libertador, o novo Moisés, que é Jesus Cristo, o Filho de Deus e nosso Salvador.

A fé pascal nascida em Cristo foi sempre identificada pelos primeiros cristãos, o mistério pascal de Cristo. Os textos bíblicos que meditamos no Tríduo Pascal (quinta-feira, sexta-feira e sábado santos), nos levam a compreender a Páscoa-paixão ou Páscoa-passagem de Cristo.

O Concílio Vaticano II recuperou esse dado da fé, nascido na Palavra do Senhor, Palavra revelada. Essa Palavra nos revela e nos anima a celebrar a Páscoa-paixão, mas sobretudo para vivê-la. Compreender essa realidade viva do Cristo em vista da salvação da humanidade é indispensável para qualquer cristão ou pessoa de fé. Ele é o centro do mistério pascal.

O Tríduo Pascal é a própria realidade da Páscoa do Senhor, a qual celebramos em três dias, e que nos conduz para a sublime e nobre celebração da Vigília Pascal e a proclamação da ressurreição de Cristo, centro de toda a nossa fé. As Normas Universais sobre o Ano Litúrgico diz, no nº 19: O Tríduo Pascal da Paixão e Ressurreição do Senhor começa com a Missa vespertina da Ceia do Senhor, possui o seu centro na Vigília Pascal e encerra-se com as Vésperas do domingo da Ressurreição.

Historicamente, é importante que o cristão conheça a caminhada pascal do povo de Deus, para sentir como a fé cristã tem raízes profundas, como a casa construída sobre a rocha. De maneira sintética, para nossa compreensão, vejamos:

  1. A primeira Páscoa é a que aconteceu quando os hebreus saíram do Egito em demanda da terra prometida. Páscoa significa passagem. Foi a passagem salvífica do Senhor Deus na noite da saída do Egito. É a passagem de uma situação de escravos para uma situação de libertos.
  2. A segunda Páscoa é a Páscoa dos judeus (que teve origem na primeira). É a celebração memorial da primeira Páscoa, realizada todos os anos. É uma memória objetiva realizada com o rito da ceia pascal. Ela assume todos os elementos da primeira Páscoa: comida de ervas amargas, o pão ázimo (não fermentado), a imolação do cordeiro sem mancha. Na primeira Páscoa foi o sangue de um cordeiro sem mancha que serviu para marcar as casas dos hebreus, sangue respeitado pelo anjo exterminador, poupando os primogênitos dos hebreus e fazendo morrer os primogênitos dos egípcios.
  3. A terceira Páscoa é a de Jesus. É o Cordeiro Divino imaculado que se imola na cruz. É a passagem de Cristo deste mundo para o Pai, através da sua paixão, morte e ressurreição. É morrendo que Jesus destruiu nossa morte e, ressurgindo, deu-nos vida nova. É a passagem de uma situação de pecado e também de escravidão para uma vida nova, a vida da graça.
  4. A quarta Páscoa é celebrada todos os anos na Liturgia da Igreja e renovada todas as vezes em que nós, como Igreja viva e peregrina, celebramos e participamos da Santa Eucaristia. O domingo (ou a partir da missa vespertina do sábado, quando se deve celebrar a liturgia dominical) é, por excelência, a celebração continuada da Páscoa de Jesus. O memorial da ressurreição de Cristo se realiza quando celebramos com fervor a Eucaristia ou algum dos demais sacramentos da Igreja.

A Páscoa de Cristo que celebramos solenemente no dia da Páscoa é continuidade, todos os dias, da ressurreição do Cristo até o final dos tempos, quando Cristo vier em sua glória para julgar os vivos e os mortos. Assim, realizamos em cada Eucaristia a verdade profunda, incomensurável de nossa fé que é a ressurreição de Jesus.

Temos, portanto, a graça palpável do amor de Cristo por nós, que nos oferece continuamente a oportunidade de passar do inverno para a primavera, do velho para o novo, ou seja, a oportunidade do amor misericordioso e salvador de Cristo que renova, que nos reergue, que tudo recria e liberta. Mas, sem o dado da fé e da graça, sem a luz da Palavra, certamente não compreenderemos essa verdade. Da ressurreição de Cristo brota a plenitude da vida. A verdade da Páscoa de Cristo deve impor-se todos os dias sobre nós como cristãos. Mas como a vivemos em cada dia?

Certamente já podemos perceber onde está fundada nossa fé e as celebrações que realizamos no Tríduo Pascal (Missa da Ceia do Senhor, Celebração da Paixão, Vigília Pascal e proclamação da ressurreição de Cristo). Celebrar com intensidade o Tríduo Pascal é mergulhar no mais profundo do mistério de nossa salvação.

Tríduo Pascal[]

Quinta-feira Santa[]

A quaresma se encerra com a liturgia das Vésperas da Quinta-feira Santa. Com a missa da Ceia do Senhor - dia da instituição do sacramento da Eucaristia, do Sacerdócio e do Mandamento do Amor - abre-se o Tríduo Pascal. Assim estabelece a orientação litúrgica do Vaticano II. Tríduo significa os três dias nos quais se realiza o mistério redentor de Cristo. A Quinta-feira Santa nos oferece o momento sacramental do próprio mistério que vamos celebrar, ou seja, nos oferece o que vamos celebrar de forma permanente. O que Jesus nos mandou celebrar em sua memória, Ele mesmo no-lo deu em seu sacrifício pascal. Com a Igreja perpetuamos esse sacrifício salvífico de Cristo.

O lava-pés[]

O lava-pés é um rito complementar dentro da Liturgia, e é realizado depois do Evangelho e da homilia. Ele ajuda a compreender o grande preceito da vida cristã, que é o serviço de amor e de fraternidade. Normalmente chamamos a celebração da Quinta-feira Santa de Missa do Lava-pés, mas o fundamental, o essencial e o insubstituível é o Mistério Pascal de Cristo, dia em que Cristo, instituindo a Eucaristia, pede aos apóstolos que a celebrem em sua memória. O lava-pés é o sinal da Eucaristia ou da memória pascal de Cristo que nos amou até o fim, em nosso serviço de amor e de fraternidade com os irmãos e irmãs. A celebração da Ceia do Senhor nos conduz para dentro da celebração do Tríduo Pascal.

Adoração Eucarística[]

Dado que a Sexta-feira Santa é um dia alitúrgico, ou seja, sem a celebração da Eucaristia, e porque nesse dia se distribui a Sagrada Comunhão, conserva-se o Santíssimo na Igreja, para comunhão dos fiéis. A adoração deve ser feita até a meia-noite, em ação de graças pelos dons do Senhor. Não podemos é perder o sentido do dom da Páscoa ou o dom do sacrifício pascal, que é exatamente o mistério da morte de Cristo. À meia-noite começa o Tríduo pascal de Jesus.

Sexta-feira Santa[]

Primeiro dia

Adentramos o mistério do sacrifício pascal de Cristo. Não há missa em nenhum lugar do mundo nesse dia. Há somente a Proclamação da Palavra, desde antiquíssima tradição. A celebração é composta de três partes: Liturgia da Palavra, Adoração da Cruze o Rito da Comunhão. Celebramos nesse dia não o sofrimento de Cristo, mas sim seu sacrifício de amor para nossa redenção, que culminará na sua Páscoa, plenitude da vida.

A assembleia reunida e iluminada pela Palavra e pela Prece (as orações feitas, como a Oração Universal), se enriquece e é interpelada pela Palavra e pelo exemplo de Cristo. É preciso olhar hoje o sofrimento imposto sobre o povo, como a injustiça, a negação ao acesso ao bem comum da pátria, a corrupção, a autossuficiência e outros males que vão solapando a dignidade humana.

Acompanhamos esse dia com o jejum e abstinência de carne, que devem nos lembrar que nossa vida deve ser também doação.

Adoramos o Cristo na cruz, e devemos fazer isso com toda piedade, pois lembra-nos o Deus que por nós deu amor, vida, misericórdia e salvação.

Sábado Santo[]

Segundo dia

Desde o Século II esse dia foi dia de jejum pleno, como também dia alitúrgico, ou seja, sem a celebração eucarística. Terminava com uma Vigília que adentrava na madrugada do domingo com a celebração eucarística.

Nesse dia aqueles que seriam batizados, os catecúmenos, ficavam reunidos e realizavam os atos definitivos, através dos quais expressavam ou manifestavam a adesão a Jesus Cristo. Todos os ritos batismais ali se realizavam plenamente. O próprio fazia-se presente nesse encontro, pois esse fato realizava-se em Roma como também no Oriente.

Eis, pois, o sentido de fazermos a Renovação das Promessas Batismais no Sábado Santo. Além do sentido histórico, recordamos nossa vida banhada na vida de Cristo ressuscitado. Esse é um momento altamente nobre de nossa fé.

A Igreja permanece ao lado do sepulcro do Senhor, meditando sua paixão e morte, abstendo-se da missa (a mesa fica sem toalhas e ornamentos) até a solene vigília ou espera noturna da ressurreição (O. Casel, La fête de Pâques dans l'Eglise des Pères).

Santo Agostinho chama essa noite do Sábado Santo de a Noite santa que é mãe de todas as vigílias. Eis, pois, o segundo dia.

Vigília Pascal[]

Terceiro dia

Nele se realiza o Rito Pascal. É a Vigília Pascal, noite santa, noite bela, incomparável. A Vigília Pascal é riquíssima em seus símbolos e em sua manifestação de fé. É uma liturgia que foi se enriquecendo ao longo do tempo. Ela nos faz como que mergulhar em três dimensões teológicas insuperáveis: memória - presença - espera, enriquecida com a realidade de Cristo, aquele que foi crucificado, mas agora ressuscitado. Ele é nossa Páscoa. Iniciar essa celebração na escuridão iluminada pela luz do Círio Pascal é uma das maiores expressões de nossa fé: O Cristo ressuscitado, a Luz do mundo! Esse clima e sentido devem invadir toda a celebração da Vigília Pascal, e devemos estar conscientes disso. Eis, pois, porque o Círio é colocado no centro do presbitério.

Enriquecemo-nos nessa celebração com a Palavra que nos traz a memória de toda a História da Salvação, como Deus foi fazendo sua Aliança com seu povo, até seu Filho Jesus, Aliança eterna de amor e de misericórdia. O Rito da Renovação das Promessas Batismais vem nos lembrar que somos o Povo novo do Senhor, o povo da nova e eterna Aliança, em seu filho Jesus Cristo. Somos testemunhas de sua ressurreição e comprometidos com seu Reino. Ser batizado é comprometer-se com o Reino anunciado e vivido por Jesus. Ainda, a Liturgia Eucarística manifesta o grande dia esperado, o dia que o Senhor fez para nós. Tudo o que a Igreja realiza durante todo o tempo, converge para esse momento e parte dele sempre.


Eis, pois, o que tivemos em mente para apresentar-lhe, com o desejo de ajudar-lhe viver com intensidade o Tríduo Pascal. Foram alguns apontamentos apenas, pois esse grande mistério de nossa fé não é possível dizer com palavras. As palavras ajudam-nos perceber a imensidão, a nobreza e a singeleza da verdade da fé em Cristo ressuscitado. Faça-o verdadeiramente o Senhor de tua vida, e seja feliz nele, pois só nele há futuro. O Espírito de Cristo ressuscitado muda o coração humano, dá-lhe a liberdade que redime e liberta de toda escravidão. Dá-lhe a verdadeira libertação pascal! Santa e feliz Páscoa para você!

Setor Deus Conosco
Editora Santuário - Aparecida/SP.
Advertisement