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Exortação Apostólica Verbum Domini (30/09/2010)
Introdução * 1-5
Verbum Dei

O Deus que fala * 6-21
A resposta do homem a Deus que fala * 22-28
A hermenêutica da Sagrada Escritura na Igreja * 29-49

Verbum in Ecclesia

A palavra de Deus e a Igreja * 50-51
Liturgia, lugar privilegiado da palavra de Deus * 52-71
A palavra de Deus na vida eclesial * 72-89

Verbum mundo

A missão da Igreja:
anunciar a palavra de Deus ao mundo
* 90-98
Palavra de Deus e compromisso no mundo * 99-108
Palavra de Deus e culturas * 109-116
Palavra de Deus e diálogo inter-religioso * 117-120

Conclusão * 121-124
Fonte: Vaticano

Palavra de Deus e diálogo inter-religioso[]

O valor do diálogo inter-religioso[]

117. A Igreja reconhece como parte essencial do anúncio da Palavra o encontro, o diálogo e a colaboração com todos os homens de boa vontade, particularmente com as pessoas pertencentes às diversas tradições religiosas da humanidade, evitando formas de sincretismo e de relativismo e seguindo as linhas indicadas pela Declaração do Concílio Vaticano II Nostra aetate e desenvolvidas pelo Magistério sucessivo dos Sumos PontíficesDe entre as numerosas e diversificadas intervenções, recorde-se:João Paulo II, Carta enc.Dominum et vivificantem (18 de Maio de 1986): AAS 78 (1986), 809-900; Idem, Carta enc.Redemptoris missio (7 de Dezembro de 1990): AAS 83 (1991), 249-340; Idem, Discursos e homilias em Assis, por ocasião do Dia de Oração pela Paz em 27 de Outubro de 1986:Insegnamenti, IX/2 (1986), 1249-1273; Idem, Dia de Oração pela Paz no Mundo (24 de Janeiro de 2002): Insegnamenti XXV/1 (2002), 97-108; Congr. para a Doutrina da Fé, Decl. sobre a unicidade e universalidade salvífica de Jesus Cristo e da Igreja Dominus Iesus (6 de Agosto de 2000): AAS 92 (2000), 742-765.. O processo veloz de globalização, característico da nossa época, permite viver em contato mais estreito com pessoas de culturas e religiões diferentes. Trata-se de uma oportunidade providencial para manifestar como o autêntico sentido religioso pode promover entre os homens relações de fraternidade universal. É muito importante que as religiões possam favorecer, nas nossas sociedades frequentemente secularizadas, uma mentalidade que veja em Deus Omnipotente o fundamento de todo o bem, a fonte inexaurível da vida moral, o sustentáculo de um profundo sentido de fraternidade universal.

Na tradição judaico-cristã, por exemplo, encontra-se sugestivamente confirmado o amor de Deus por todos os povos, que Ele, já na Aliança estabelecida com Noé, reúne num único e grande abraço simbolizado pelo "arco nas nuvens" (Gn 9,13.14.16) e que, segundo as palavras dos profetas, pretende congregar numa única família universal (cf. Is 2,2ss; 42,6; 66,18-21; Jr 4,2; Sl 47). Na realidade aparecem, em muitas das grandes tradições religiosas, testemunhos da ligação íntima que existe entre a relação com Deus e a ética do amor por todo o homem.

Diálogo entre cristãos e muçulmanos[]

118. De entre as diversas religiões, a Igreja olha com estima os muçulmanos, que reconhecem a existência de um único DeusCf. Conc. Ecum. Vat. II, Decl. sobre as relações da Igreja com as religiões não-cristãs Nostra aetate, 3.; fazem referimento a Abraão e prestam culto a Deus sobretudo com a oração, a esmola e o jejum. Reconhecemos que, na tradição do Islão, há muitas figuras, símbolos e temas bíblicos. Em continuidade com a importante ação empreendida pelo Venerável João Paulo II, desejo que as relações baseadas na confiança, que estão instauradas desde há diversos anos entre cristãos e muçulmanos, continuem e se desenvolvam num espírito de diálogo sincero e respeitosoCf. Bento XVI, Discurso a Embaixadores dos países majoritariamente muçulmanos acreditados junto da Santa Sé (25 de Setembro de 2006): AAS 98 (2006), 704-706.. Neste diálogo, o Sínodo fez votos de que se possam aprofundar o respeito da vida como valor fundamental, os direitos inalienáveis do homem e da mulher e a sua igual dignidade. Tendo em conta a distinção entre a ordem sociopolítica e a ordem religiosa, as religiões devem dar a sua contribuição para o bem comum. O Sínodo pede às Conferências Episcopais que se favoreçam, onde for oportuno e profícuo, encontros para um conhecimento recíproco entre cristãos e muçulmanos a fim de se promoverem os valores de que a sociedade tem necessidade para uma convivência pacífica e positivaCf. Propositio 53.

Diálogo com as outras religiões[]

119. Além disso, desejo aqui manifestar o respeito da Igreja pelas antigas religiões e tradições espirituais dos vários Continentes; contêm valores que podem favorecer imenso a compreensão entre as pessoas e os povosCf. Propositio 50.. Muitas vezes constatamos sintonias com valores expressos também nos seus livros religiosos, como, por exemplo, o respeito pela vida, a contemplação, o silêncio e a simplicidade, no Budismo; o sentido da sacralidade, do sacrifício e do jejum, no Hinduísmo; e ainda os valores familiares e sociais no Confucionismo. Vemos, ainda noutras experiências religiosas, uma sincera atenção à transcendência de Deus, reconhecido como Criador, e também ao respeito da vida, do matrimônio e da família e ainda um forte sentido da solidariedade.

Diálogo e liberdade religiosa[]

120. Todavia o diálogo não seria fecundo, se não incluísse também um verdadeiro respeito por toda a pessoa para que possa aderir livremente à sua própria religião. Por isso o Sínodo, ao mesmo tempo que promove a colaboração entre os expoentes das diversas religiões, recorda igualmente "a necessidade de que seja efetivamente assegurada a todos os crentes a liberdade de professar, privada e publicamente a sua própria religião, e também a liberdade de consciência"Ibidem.; de fato "o respeito e o diálogo exigem a reciprocidade em todos os campos, sobretudo no que diz respeito às liberdades fundamentais e, de modo muito particular, à liberdade religiosa. Tal respeito e diálogo favorecem a paz e a harmonia entre os povos"João Paulo II, Discurso no encontro com os jovens muçulmanos em Casablanca (Marrocos, 19 de Agosto de 1985), 5: AAS 78 (1986), 99.

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